ALPHAVILLE. Três ANJOS. ELKE, KAROLINE E DEREK.

Triste a manhã da despedida.

Devagar, vão subindo, deixando para nós no vazio a vontade de entender.

O que está acontecendo com a família, ou melhor, com a falta dela?

Enquanto pais e especialistas se perguntam, buscando respostas em teorias diversas, a reflexão continua dando lugar ao sofrimento.

Implacável, irreversível.

Perturbado psíquico? Uma pessoa má? Encurralado social?
Onde estava aquele desenho que você recebeu, em um – mesmo distante, Dia dos Pais?

Por quê numa gaveta sombria?

Porque você não viu…Pai. Está escrito “eu te amo” em letrinhas tortinhas de uma paz única, toda e só sua.

Na tentativa de compreender os fatores que influenciam comportamentos, estamos perdendo amigos e ganhando saudades eternas. Sim, existem crises na carona dos valores contemporâneos.

Falta diálogo, a reflexão é importante, mas se pais e filhos falam línguas diferentes, é preciso ouvir a todos com muita atenção.  É preciso valorizar pequenos sinais e perceber ali, nas entrelinhas da agressão ou do silêncio o pedido de socorro sutil e disfarçado.

Seria esta a alternativa urgente? Aumentaria a distância entre a vida e a morte?

Existe um material farto para a psicologia, antropologia e tantas outras ciências em suas variáveis sócio-culturais, éticas, estéticas.

Ao mesmo tempo nos cerca no humano, uma baixa tolerância à frustração, trazendo limites cada vez mais próximos das descargas da agressividade, da violência.

Na prática? Noites sem dormir, um bom-dia-péssimo, desamor, isolamento, impaciência, medo de educar, de admitir erros, falta de limites e ao mesmo tempo de sonhos coletivos.

Nossos muros cada vez mais altos só nos deixam compartilhar o ser a partir do TER e muitas vezes sem se dar conta que já foi a hora de parar.

E quem se vai é a alegria.
Olhos com muito para ver se fecham, amores jovens são interrompidos, vidas são um breve começo do fim.

“E agora, a dor é do tamanho de um prédio. Não tem remédio, não tem explicação…”
As palavras de Gabriel, O Pensador, ecoam nas escadarias do Edifício Dijon em Alphaville e para sempre nos corredores da nossa alma.

E quase posso ouvir três anjos dizendo, “Não temos culpa, não temos culpa…”
Meu coração chora e os abraça por inteiro.

30 AGO 2006 – http://veja.abril.com.br/vejasp/300806/crime.html

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s