MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA.


anarquista

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA se passa em Milão, 1969.

Em meio à comoção popular e investigação da midia (de quatro anarquistas presos um teria cometido suicídio ao pular do prédio da delegacia) quem se aproveita da história REAL é um louco – Dan Stulbach alucinado e à vontade no papel.

Na doideira de “interpretar” pessoas reais e enquanto aguarda detido na delegacia por identidade falsa, o louco se passa por juiz, bispo e arma verdadeiras confusões mentais afundando álibis e trazendo dúvidas à tona que instigam ainda mais a quem pergunta:

– Foi suicídio?

A incapacidade do louco de julgar racionalmente, suas atitudes fora de contexto ou de controle, são usadas pelo delegado (Henrique Stroeter), o comissário, (Marcelo Castro) e o secretário de segurança (Riba Carlovich) como argumentos para invalidar as questões provocadas pela jornalista (Maira Chasseraux) que busca a verdade.

Mas o texto inteligentemente adaptado (e com direção de Hugo Coelho) coloca a análise psicológica em segundo plano.

O que é normal ou o que não é, dá lugar a uma bem construída crítica social onde fica claro que em comportamentos, dualidades, aparências, egoísmos, medos, vaidades e atitudes que vão do interesse próprio ao desespero coletivo – os loucos perigosos somos nós.

Prepare-se para boas risadas com o talento, entrosamento, competência e diversão 100% que o elenco propõe para o público e para si – o que fica nítido nos improvisos e gargalhadas no palco.

É insubstituível a música ao vivo e sonoplastia idem do hilário Rodrigo “Jerry” Geribello que não erra o tom.

É muito claro o quanto o louco Dan se diverte.

E o público também!

O texto atemporal de Dario Fo (Nobel de Literatura em 1977), é de um frescor viril se comparado a nossa atualidade política e uma carapuça na nossa indignação verbo-inofensiva com os escândalos que “… Duram até a chegada de um novo escândalo. E outro…”

Nota 10 para MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA.

A diversão fica na lembrança.

E a reflexão do tipo que provoca e incomoda também.

MORTE ACIDENTAL DE UM ANARQUISTA
Auditório MASP Unilever
Av. Paulista, 1578
4as e 5as, 21h.

Produção: Morente Forte Comunicações

www.morenteforte.com

https://www.facebook.com/MorteAcidentalDeUmAnarquista/?fref=ts

 

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