CASO MIGUEL RICCI. Dois anos depois.


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Há 30 anos atrás, três amigos meus – entre os que mais aprontavam, quase foram expulsos do colégio.

Sem câmeras, informantes, U Tube, X9s, BBerries, multimídia. Menos de 15min depois do estouro no banheiro, a direção já tinha o que, quem e como.

O ponto aqui é: 2012, o homem foi à Marte, viaja o mundo pela web…

30 anos atrás (na média uns 11 mil dias), “um quarto de hora” depois da explosão do rojão “tipo o avô do B4”, já se sabia tudo e todos.

Como então senhores, DOIS anos depois, NADA se conclui do assassinato de Miguel Ricci?

Nada na midia, nada na web, nos jornais… Precisa refrescar a memória?

Então:

Como tantas outras crianças, Miguel saiu de casa 29 de setembro de 2010, para mais um dia comum na escola.

Aula, intervalo, brincadeiras, mais estudo… Depois iria para casa, repito, como tantas outras crianças.

Mas em 29 de setembro de 2010, dia de São Miguel, Miguel Ricci de 9 anos levou um tiro.

Ninguém sabe, ninguém viu.

E nem sentiu? A falta de Miguel no pátio…

E nem ouviu? O barulho do disparo…

Ninguém sequer agiu. Não como deveria.

A falta de estrutura – em todos os sentidos, é que matou Miguel.

Suporte médico inexistente, despreparo e inexperiência no resgate.

É lamentável, mas nestas horas, mesmo um conjunto de boas intenções é  pouco.  Ou de verdade, não é nada.

E voltando à “falta de estrutura” SIM. É sim. Em todos os sentidos:

O que ou QUEM permitiu Miguel estar sozinho? Ou com outra criança? O que fazia uma arma ali?

E me desculpem os pais da suposta criança envolvida, das outras crianças… Se todos seguem estudando, trabalhando, a escola em atividade nos mesmos moldes. E se fosse o seu filho?

Se todos suportam uma reconstituição só depois de seis meses, suportam dois anos sem a verdade, sem nada conclusivo. Como não mobilizam seus filhos no Dia da Criança para que clamem por Miguel? Como calam numa escola que não fala, se posiciona…?

Não basta o silencio de Miguel?

A vida continua, sim, é fato.

Mas a dor também.

Uma criança morreu, numa circunstancia repleta de dúvidas e mistérios.

Alguns pensam agora: “É fácil falar… Preciso que meu filho estude aqui, preciso do meu emprego, preciso esquecer…”

Preciso, preciso, preciso… eu, eu, eu…

E Miguel? Precisa de que?

De paz.

Fica aquela impressão de que a vida de todos segue, normal. Fato. Assim é a vida.

Menos a vida de Miguel, claro. Ele morreu. Assassinado.

Ao mesmo tempo, me pergunto: É vida a que leva o egoísta, o omisso, o covarde?

Se exemplos educam mais que palavras, onde fica o compromisso com a verdade que tanto se cobra, investe e se espera das gerações futuras?

Uma medida judicial há um ano e meio atrás, deu conta de que caso se confirme a autoria do disparo, a provável criança que provavelmente atirou em Miguel poderá ser afastada dos pais.

E quem o afasta do erro dos adultos? E da culpa que sente? E do medo que essa criança também sente?

Esqueceram da criança. Mais uma vez.

Chamaremos essa atrocidade de medida judicial ou medida desesperada em mostrar serviço?

Que lei é essa?

Ainda que de fato se descubra o envolvimento de outra criança, esta é tão vítima quanto Miguel. Quanto todas as outras que permanecem parte de uma estrutura baseada na omissão.

Duro é a falta que Miguel faz.

Recado a todos que ouviram os gritos de dor da avó de Miguel e de tantos  pais, mães que perderam o sentido da vida.

Não basta ensinar. A escola, a familia, a religião e o estado SÃO responsáveis por oferecer condições verdadeiras para que todos aprendam.

Desejo que disso tudo, sobre muito mais que medo…

Eu explico.

Meu medo hoje é que concluam que Miguel era um menino com tendências suicídas, o pai o irresponsável dono da arma e a mãe uma omissa que finge morrer todo dia um pouco, de saudade e dor.

Prefiro, de todas as formas, apesar do segredo de justiça, do silêncio dos inocentes (e dos nem tanto assim), acreditar que a verdade  triunfará.

Vejo agora, Miguel rodeado de pelo menos 12 grandes  e jovens almas.

Bianca Rocha Tavares, Géssica Guedes Pereira, Karine Lorraine Chagas de Oliveira, Larissa dos Santos Atanázio, Laryssa Silva Martins, Luiza Paula da Silveira, Mariana Rocha de Souza, Milena dos Santos Nascimento, Rafael Pereira da Silva, Samira Pires Ribeiro.

As vítimas da tragédia na escola em Realengo se juntaram a Miguel há um ano e meio e juntos pedem JUSTIÇA. por Miguel, por todas as crianças que não comemoram mais o seu dia.

Mas confesso, ainda sobra muito medo…

O que mais vamos assistir, até que Miguel finalmente descanse em PAZ?

Uma opinião sobre “CASO MIGUEL RICCI. Dois anos depois.

  1. Confesso também..ainda sobra o medo…Até hj nenhuma justiça se fez a Miguel!!! Que País é esse??? que uma criança morre nessas condições e não se faz nada por justiça?!

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